quarta-feira, 1 de outubro de 2008

o pendulo cego do relógio
marcava em suas batidas incertas
as horas de um tempo que já tardava em passar
meu coração sincronizado ao descompasso desse relógio ansioso
palpitava os receios do futuro
e cansado de sua própria aflição, pontava-me o peito uma angustia,
certo de que essa sensação seria um sinal do qual eu entenderia

pela ignorância comum aos homens
insisti no erro e não ouvia o que a voz do coração dizia
besuntada em pensamentos desamorosos,
minha mente viciada estava dominada nas nuvens sombrias do receio

vivia encarnado como a grande maioria,
irresponsável de seu próprio bem estar

contudo tal desespero levou-me a grande elevação
o tempo pareceu parar
as nuvens negras dissiparam-se tão breves como o momento
e fui imerso num clarão, tão sábio e branco,
que me ofuscava a visão da mente, cessando o penoso pensar

vislumbrei naquele momento uma felicidade intocada
tentei traze-la mais perto de mim
mas o medo de perder aquilo que nem tinha
palpitou-me no coração a duvida
e vi com uma triste clareza,
toda aquela mágica clareza ir embora na incerteza

conclui que ainda não estava pronto para tal
mas minha alma, contudo anunciara sua paixão pelo espírito
minha personalidade compreendia a loucura de negar-se a felicidade
enchi-me de auto-estima,
acalmando-me do futuro fui deixando o medo de lado
entendi por fim que do meu bem estar eu sou o único responsável