segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Inconclusivo


A felicidade estava tímida esse dia
Tal qual um sol mormaçado escondido atrás do cinza nublado
Um dia que raiava preguiçoso, tão custoso e moroso em sem próprio acordar

Houve refugos, suspiros pesados, insatisfeitos inconformado... Fui escrever para dispersar algum vazio, alguma solidão,
E quem sabe me achar ao final de algum inconclusivo verso de Amor

Fiz a oração do poeta, invocando velhos profetas:
Pedi boas idéias, palavras de sabedoria, pedi por rimas e alegrias... venham-me as rimas, as rimas que rimam, nas ingenuidades que me animam

Animado é como qualquer um fica quando não se deixa de lado

Pensei então na vida que é chata quando vivida acanhada
Olhei para minha barriga e vi ali vontades não vividas
Olhei para o peito e vi amigos distantes, amores carentes, o afeto que não pode abraçar e o carinho que não teve coragem de beijar
Nas costas a musculatura enósada, as lagrimas insabiamente não choradas

Reli esse poema inconclusivo e pausei...

Vi que naquele momento de lamentação a alegria me passou como corisco, num brilho intenso que de tão rápido tornou-se apagar na escuridão.
O que haveria mais me passado sem que eu houvesse percebido? Sem que eu houvesse desfrutado?
Deixei de lado, pois o passado já é passado e a felicidade ainda estava por vir, ainda há muito mais parar vir, ainda existe o momento para sorrir.

Há a Vida que por si só vive, há eu, sou eu... que sempre vem agora

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